Monday, August 24, 2009

Fato bege: Ponto de situação #2 - Beige suit: Status report #2

Português
English (uncheck the other box and check this one)

Mais uma semana passou em que só tive tempo para costurar ao fim-de-semana… O que vale é que consegui terminar as calças e o colete, mas à custa de deixar muitas outras coisas por fazer, como limpar o apartamento e visitar os blogs que sigo. Mas prossigamos com a lista de realizações (atenção, este artigo tem muitas fotos):

11 – Cosi a costura do gancho, só na parte da frente até à abertura do fecho (zíper) e prossegui com o meu método habitual de confeccionar carcelas de calças. No livro “Making Trousers for Men and Women” de David Page Coffin são demonstrados métodos um pouco diferentes que um dia quero experimentar, mas para já, como o meu tempo é limitado, resolvi prosseguir como habitualmente (baseado no método Burda: ver aqui e aqui como se faz).

12 – Confeccionei as presilhas e prendi-as às orlas das calças antes de coser o cós;

13 – Confeccionei o cós das calças, primeiro unindo as partes exteriores, assentando os valores de costura para cima e pespontando a costura; acrescentei um reforço na cintura do cós, para que não alargue depois com o uso das calças. Para o efeito utilizei a aurela do forro (a parte de lado da peça, que tem um remate mais forte), que não estica, com a vantagem de não tornar a costura demasiado volumosa. Cosi então a aurela do forro ao mesmo tempo que unia a parte interior do cós à parte exterior do cós, prendendo também as presilhas no processo:


Este reforço é necessário porque um cós enformado (com a forma arredondada) tem partes em viés que tendem a esticar, mesmo entreteladas (porque a entretela também fica um pouco em viés nas áreas curvas).

14 – Cosi o gancho nas costas, na continuação unindo a costura central das costas do cós; a costura do gancho também deve ser reforçada e neste caso utilizei também aurelas de forro:


15 – Terminei o cós girando a parte interna para dentro e cosendo-a à mão à costura do cós. Fiz acabamentos com pespontos, depois de alinhavar e assentar a ferro todas as costuras. O resultado depois de montado o cós, feita a casa do botão e de coser o botão:



16 – Alinhavei as bainhas, assentei-as a ferro e cosi-as à mão.

17 – Por último fiz o vinco de trás; reparem que já tinha vincado as partes da frente, onde ainda se vê o alinhavo que marca o vinco (isto foi feito depois de aplicar o forro às partes da frente, antes de coser as calças). O vinco da frente começa na prega mais interior e divide o molde da frente em duas partes, seguindo o correr do fio do tecido. Para vincar a parte de trás sobrepõem-se as costuras das pernas e vinca-se até mais ou menos 7cm do cós atrás (fica feio se o vinco for até cima).

18 – Preparação do colete: apliquei entretelas e reforços, alinhavei as linhas de interesse para a confecção (pinças, linhas de referência, etc.). Aqui fiz algumas modificações: além de entretelar as vistas, entretelei a frente, pois considero um contra-senso não o fazer. Utilizei uma entretela muito macia, que não enrijece muito o tecido:

Entretelei também os valores de costura das costas, cujas cavas e decote foram reforçadas com fita de entretela termo-colante:

19 – Prossegui de acordo com o curso de costura ilustrado que vem na revista, apenas com algumas variantes a meu gosto; depois de pensar um pouco, em vez dos tirantes de ajuste resolvi aplicar um elástico largo nas costas, para as modelar um pouco. Para isso fiz um canal usando uma tira de forro, passei o elástico largo (2,5cm) por dentro, estiquei-o um pouco e cosi nas extremidades do canal, prendendo o elástico:



Os acabamentos nos cantos foram feitos à minha maneira:

Alguns detalhes do colete depois de terminado:

O forro e as vistas:

As orlas perfeitamente assentes a ferro:

Detalhe dos botões da frente:

O colete no manequim:



E é tudo o que consegui fazer… Provavelmente só vou ter tempo de pegar no blazer no próximo fim-de-semana, por isso até lá, fiquem bem! Um abraço para as pessoas novas que comentaram, nomeadamente do Brasil e República Checa!

Another week went by and my sewing time was once more reduced to the weekend… The good news is that I managed to finish the trousers and the vest, at the cost of leaving my home in a mess and not being able to update on my blog reading… everything has a price. Let’s proceed with the weekend’s accomplishments list (picture heavy):

11 – Stitched the front crotch until reaching the zipper opening (the back is left unstitched for now) and proceeded with my usual fly-front zipper construction method (click here and here). In David Coffin’s book other methods are explained and I’m willing to try them, but since I’m so short on time, I decided to go with my TNT method instead, which also delivers good results.

12 – Constructed the belt loops and pinned them in place before stitching the outer waistband;

13 – Proceeded with the shaped waistband construction as per BWOF’s instructions, topstitching close to the seam edge; when joining the inner waistband to the outer waistband, I reinforced the stitching line using lining selvage, which prevents stretching of the waistline without adding bulk. The belt loops were caught in this seam too:


This reinforcement is necessary because a shaped waistband is cut on the bias at the rounded sides, so it will stretch in spite of being interfaced (the woven interfacing is biased too, for the same reasons).

14 – Stitched the back crotch seam, along with the waistband CB seam; the back crotch seam was also reinforced with lining selvage, as you can see:


15 - Hand finished the inner waistband after turning it to the inside. Topstitched the remaining edges of the waistband after basting and pressing them in place. The end result, after stitching the button and the buttonhole is as follows:



16 – Basted and pressed the bottom hem allowances, stitched them by hand.

17 – As a last step there’s the final pressing and the creases; notice that the front crease is basted and already pressed (this was done right after the lining was basted in place, before stitching the trousers). This crease starts at the inner pleat and divides the front legs in half lengthwise (unless trying to disguise a leg anatomy feature), following the lengthwise grain of the fabric. I press the back crease after the trousers are done, aligning the inner leg seam with the outer leg seam and starting the crease about 3-4 inches below the waistband (the back crease looks weird if it goes all the way up to the waistband), ending it at the hem.

18 – Preparing to sew the vest: applied the interfacing and fusible tapes, thread traced all pertinent lines (darts, CB, CF, etc.). I did a few things differently: fully interfaced the front because it would be silly not to do it (used a very soft interfacing, cutting off the darts and hem allowances):

Also fused bias cut stripes of interfacing on the back hem allowances.

19 - Proceeded according to the BWOF’s illustrated sewing course, adding a few extras; after rethinking the model, I decided to do something different with the back waist: made an elastic casing on the wrong side and used 1inch wide elastic to shape the back waist:



The hem/facing/lining intersection, as I usually make it:

A few details of the finished vest:

Lining and facings:

The edges are sharp and well pressed:

Front closure detail:

The vest on the dressform:



And this is it for now… Next there’s the jacket and I probably won’t tackle it until next weekend. Until then, cheers to all (big hug to the new commenters from Brazil and Czech Republic) and many thanks for visiting!

Monday, August 17, 2009

Fato bege: Ponto de situação #1 - Beige suit: Status report #1

Português
English (uncheck the other box and check this one)

Bom, resolvi começar pelas calças; no fim-de-semana passado tinha os moldes traçados e ajustados e esta semana só tive umas horas durante o fim-de-semana para cortar, marcar e começar a coser. A listagem do que consegui avançar foi a seguinte:

1- Preparar o tecido para o corte: embora este tecido seja de lã, tem uma qualidade superior e verifiquei que não encolhe ao passar a ferro, mesmo com bastante vapor (deve ter um pré-tratamento). Fiz uma pesquisa sobre tecidos de alfaiataria de lã e descobri que o nº com que são qualificados corresponde à espessura das fibras e é tanto maior quanto mais finas estas forem. Este tecido tem uma qualificação de 120 (vem escrito nas orlas da peça de tecido), o que é considerado de luxo (bibliografia: "Making Trousers for Men and Women" de David Page Coffin, um excelente livro sobre a construção de calças. Consultar também o seu blog “DPC on Making Trousers” e o excerto do DVD que acompanha o livro no Youtube).

2 – Cortar o tecido para o blazer, calças e colete;

3 – Fazer testes com alguns tipos de entretela usando retalhos do tecido, testes de costuras para calibrar o ponto e testes das casas de botão. Este tecido portou-se de forma excelente!

4 – Entretelar as vistas da carcela (entretela cortada em viés), as partes de fora do cós aplicado, os vivos do bolso de trás e reforçar as entradas dos bolsos na costura lateral. Usei entretela de tecido muito fininha.

5 – Cortar forro parcial para as calças, e alinhavá-lo à frente das calças (ver notas sobre este processo neste artigo, onde usei organza de seda para fazer o forro parcial; neste caso utilizei tecido de forro normal). A vantagem deste forro é reduzir as engelhas na frente, ao mesmo tempo que reforça o interior da coxa, sem tornar a peça demasiado quente. Também proporciona um excelente escudo para não se notarem os fundos dos bolsos num tecido fino como este.

6 – Rematar com a corta-e-cose as orlas das pernas interiores e exteriores, bainhas, gancho e vistas da carcela

7 – Alinhavar e coser as pinças de trás e as pregas na frente; ter sempre em atenção as boas práticas para assentar a ferro durante todo o trabalho de cosedura: usar um pano de passar entre o ferro e o tecido (organza de seda natural funciona maravilhosamente pois aguenta bastante calor e é transparente), o ferro na temperatura correcta para lã, usar vapor ou vaporizar a área a assentar e depois passar com o ferro seco, assentar as costuras com os dedos enquanto as costuras ainda estão quentes, usar um presunto de alfaiate para as áreas curvas, como as pinças, e um rolo de alfaiate para as costuras direitas, passar as costuras de um lado e do outro antes de as abrir a ferro, etc. A regra mais importanet de todas: FAÇAM ALGUNS TESTES PRIMEIRO!

8 – Confecção do bolso traseiro, estilo calça de homem; para este bolso segui as excelentes instruções do Paco neste artigo: "Bolsillos ribeteados para pantalón". O artigo está escrito em castelhano mas têm um botão para o tradutor no canto superior direito; quanto a mim, as fotos são praticamente suficientes para entender o método de construção, que se demonstra muito preciso, fácil e com óptimo resultado, como podem ver pelas fotos seguintes:

Podem ver aqui a vista de tecido metida no fundo do bolso (feito em forro), para quando este estiver aberto, não se ver o tecido do forro e sim o tecido das calças:

A única coisa que fiz de diferente foi usar uma peça única de forro para a fundura anterior e posterior, que dobra em baixo e onde se cose a vista em tecido no lado de dentro do saco do bolso (ver costuras horizontais):

Resolvi usar a corta-e-cose com linhas Serafil (linhas de alta qualidade ultra-finas para a corta-e-cose) depois de fazer alguns testes e de verificar que este é o método que causa menos volume no remate neste tecido bastante fino e sujeito a ficar marcado no exterior; ler este artigo da Els onde ela fala sobre as linhas Serafil e suas vantagens: "Godet skirt in semi sheer fabric". Comprei estas linhas no Ebay, não as encontro à venda nas retrosarias.

9 – Fechar as costuras laterais das pernas, deixando a abertura para os bolsos metidos e confeccioná-los;

10- Coser as costuras interiores das pernas.

Neste momento tenho as duas pernas prontas e o passo seguinte será confeccionar a carcela. A seguir têm algumas fotos dos bolsos (as funduras são cortadas do tecido das calças, que por ser tão fino não adiciona volume extra; outra opção seria usar tecido próprio para bolsos ou até um resto de tecido de fazer camisas e aplicar-lhe uma vista em tecido das calças, para que não se veja o tecido do bolso quando este se abre):


O meu tempo tem sido muito limitado durante a semana e não espero que esta situação mude tão cedo; peço desculpa pela falta de regularidade ao actualizar o Couture et Tricot e a visitar os vossos blogs, mas o meu tempo realmente não dá para mais...
Fiquem bem e boas costuras ou qualquer outra actividade que façam que preencha a vossa necessidade de serem criativas!

Well, I decided to start with the trousers first; on the previous weekend I traced all the patterns for the complete suit, incorporating my usual adjustments; during the following week I had no time to sew and this weekend I had some time to spare on sewing and was able to make some progress. Here’s the listing of my accomplishments:

1 – Prepared the fabric for cutting: in spite of its mainly wool content, I am surprised to say that this fabric didn’t shrink at all when subject to steam pressing (It’s expensive fabric and money buys quality most of the times: it must have been subject to pretreatment already). I did a little research on wool tailoring fabrics and I found out that the number present on the selvage qualifies the thinness of the fibers: the higher the number, the thinner the fibers used. This fabric is qualified 120, which is considered luxury fabric (source: David Coffin’s excellent book "Making Trousers for Men & Women”. He also has a blog “DPC on Making Trousers" and I found this excerpt of the book’s accompanying DVD on YouTube).

2- Cut the fabric for all three garments (blazer, vest and pants);

3- Ran a few fusible interfacing tests on scraps, tested the seams (stitching on several directions) and buttonholes; this fabric behaves beautifully.

4 – Interfaced the areas needing reinforcement on the pants (used very thin woven interfacing): fly front facings (cut on the bias), shaped waistband, half of the fly-front shield, pocket entries, pocket welts;

5 – Cut the partial lining and basted it to the fronts (read my notes on this process in this past article, where I used silk organza for this purpose). The main advantage of the partial lining is reducing wrinkles and providing a little front fork reinforcement without making the garment too heavy or warm.

6 – Serged-finish all the SAs on the side seams, in-seams, hems, crotch and fly-facings;

7 – Basted and stitched the back darts and the front pleats; always press as you go, using the well known pressing best practices: use a pressing cloth (silk organza makes a great pressing cloth because it can stand the heat and it’s see-through), use the right temperature setting, steam or spray water on the areas to be pressed, don’t slide the iron, just press and lift, press and use your fingers while the fabric is still hot/damp, use pressing aids like a tailored ham for curved seams (like darts) and a seam-roll for straight seams, press on both sides before pressing the seams open, etc. Most important of all: RUN SOME TESTS FIRST!

8- Constructed the back pocket (there’s no back pocket on the original model but I thought it would make a beautiful detail on this trousers); used Paco’s excellent tutorial "Bolsillos ribeteados para pantalón". The article is written in Spanish but there’s a translate button on the top. The pictures are almost self-explanatory. I proved this method to be precise and easy, achieving optimal results, as you can see in the following pictures:

Inside there’s a self-fabric facing attached to the back pocket bag (made of lining), so you don’t see the lining fabric when the pocket is open:

The only thing I did differently from Paco’s instructions was using a single piece of lining for both pocket bags, as you can see by the bottom fold. You can also see the horizontal stitches that join the fabric facing to the lining, inside the pocket bag:

I decided to use the serger and Serafil thread for seam finishing (Serafil is a high quality special purpose serger thread which is very thin and doesn’t create imprints on the seams when they are pressed open after being serged). This method proved to be the less bulky among a few other options, because the fabric I’m using is so lightweight. Els wrote an article "Godet Skirt in semi sheer fabric" where she explains the use of this high quality thread (I bought mine on eBay, btw)

9 – Stitched the lateral seams leaving the pocket openings unstitched; constructed the side-seam pockets;

10 – Stitched the in-seams.

At this point I have the two pant legs ready and the next step will be the front crotch seam and the fly-front zipper. Here are a couple of pictures of the in-seam side pockets (I used self-fabric pockets bags because this fabric is lightweight and doesn’t add too much bulk. Another option would be using pocketing fabric and applying a self fabric facing next to the opening).


My time has been so limited during the week and I don’t expect this situation to improve any time soon, so forgive my lack of assiduous posting and commenting on your blogs; I do what I can and I’d love to do more but that’s just not possible right now.
Cheers to all and Happy Sewing or whatever you do that fulfills your need for creativity!